
"Todo o homem é culpado do bem que não fez."
Voltaire
Da minha janela, vida tanta que consumo, reparto e destino. No caminhar que dizemos nosso, rasto público, repetido e perdido algures no horizonte, entre o conformismo e a curiosidade de quem nos devora e sobre nós conjectura cada passagem, seja de despedida ou de chegada.
Numa hora só minha, sento pedaços meus no parapeito da janela e trinco rebuçados como se não houvesse amanhã. Tão babado como os sabores que me corrompem o espírito naquele momento, o frouxo desdém do vizinho da frente que me condena as irreverência e criancice.
Qual rito gravado na pele, a ideia de maturidade associada à capacidade de afirmação do que não gostamos. Inalada a vivência, memórias de capricho e de ideia fixa cuja atribuição exalo sobre quem me retrata nos mesmos o perfil. E nesta convicção esfumaçada, demais indiferença que debruço e proclamo sobre a janela: – Vai bugiar, também não gosto de ti!







